Chegando ao Recife

Chegando ao Recife
(fragmento) Adelmar Tavares ( * Recife,1888–+ Rio, 1963)

Lá vêm as jangadas, de velas inchadas,
bojando aos ventos,branquinhas, no mar…

Meu Deus, minha terra! Meu Deus, vou chegar!

Olinda, distante, lá longe, aparece…

Lá está uma torre… Diviso o farol…
Lá vêm as jangadas branquinhas de sol…

Que céus diferentes!

Tão verdes as águas!
Que leves os ares, que gozo aspirar!

Escuto umas vozes que vêm das jangadas,
conheço essas vozes que vêm das jangadas,

são desses Antonhos, e desses Messias,
Lourenços, e Jocas, Bastiões, Mizaéis,
de falas cantantes, mas pulso de ferro,
que pulam de tigre na ponta da faca,
e arrulham na viola que fazem chorar…

Meu Deus,minha terra! Meu Deus, vou chegar!

Vocês, jangadeiros, já não me conhecem?…

Não me reconhecem? Mudei tanto assim?

– Você, João da Penha, que nova me traz?

Aquela morena dos olhos magoados,
se lembra de mim?
me espera no cais?

Que lenço querido me espera no cais?

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