Um Olhar Sobre A Cidade

Sair à-toa, e flanar:
Percorrer, assim, os arredores de uma cidade, cantos e recantos bem conhecidos de pombos, de crianças, e de umas pessoas tão simples e tão despojadas, de quem a câmera busca companhia, num instante roubado de suas espontaneidades.

Imagens captadas num único e solitário click , quase sempre sem fotogramas similares.

Interessa-nos não a fotografia militante, ideológica, social, mística ou erótica; mas a multiplicidade de fruição e de interpretação, a mistura, o indefinível, a perdição, primeiros passos da sem razão estética, e, quem sabe, do amor.

Sem deixar um lugar de onde talvez nunca tenha partido ( – Qual porto?… – Qual rio?… ),

câmera e dono pouco saem juntos, um a tiracolo do outro,

na mescla de ligação e liberdade a que se permitem.

E com o prazer que somente os amantes das coisas descompromissadas podem gozar

Relevamos normas de cursos de fotografia. Apartados de grupos fotográfico-artístico-culturais.

O título me ocorreu  ao lembrar de um lugar, e de um tempo, e de um homem a lançar “Um Olhar Sobre A Cidade”   de Recife e Olinda – Recife  que eu  aqui encontro, e em todos os lugares por onde passo. Assim como Porto Alegre me acompanha, não como um passado deixado pra trás, mas como um presente que foi e que é, lugar de descobertas, de vivências, de pessoas.

( Convido a visitar meu outro Blog, lentamente inserindo fotos ):

http://humbertocavalcanti.wordpress.com

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Anúncios

Chegando ao Recife

Chegando ao Recife
(fragmento) Adelmar Tavares ( * Recife,1888–+ Rio, 1963)

Lá vêm as jangadas, de velas inchadas,
bojando aos ventos,branquinhas, no mar…

Meu Deus, minha terra! Meu Deus, vou chegar!

Olinda, distante, lá longe, aparece…

Lá está uma torre… Diviso o farol…
Lá vêm as jangadas branquinhas de sol…

Que céus diferentes!

Tão verdes as águas!
Que leves os ares, que gozo aspirar!

Escuto umas vozes que vêm das jangadas,
conheço essas vozes que vêm das jangadas,

são desses Antonhos, e desses Messias,
Lourenços, e Jocas, Bastiões, Mizaéis,
de falas cantantes, mas pulso de ferro,
que pulam de tigre na ponta da faca,
e arrulham na viola que fazem chorar…

Meu Deus,minha terra! Meu Deus, vou chegar!

Vocês, jangadeiros, já não me conhecem?…

Não me reconhecem? Mudei tanto assim?

– Você, João da Penha, que nova me traz?

Aquela morena dos olhos magoados,
se lembra de mim?
me espera no cais?

Que lenço querido me espera no cais?

———————————————————-

Pescador no mar da praia do Cupe, Porto de Galinhas

- A Barca Pescador

(Trecho de poema de Adelmar Tavares)